Comentário de Mercado Setembro de 2015

O mês de setembro foi marcado por muitas oscilações nos preços dos ativos financeiros, com destaque para a taxa de câmbio de Reais para Dólar Americano. Na renda fixa a taxa de curto prazo (SELIC) ficou em 14,25%. O IRF-M, que mede a rentabilidade dos títulos públicos com juros pré-fixados, obteve uma rentabilidade de 0,96%, acumulando um ganho de 9,08% no ano. A rentabilidade dos títulos públicos indexados a inflação (NTN-B) de curto prazo (até 5 anos), medidos pelo IMA-B5, tiveram uma rentabilidade de 0,79% no mês e acumulam uma alta de 9,72% no ano. Já os de longo prazo, medidos pelo IMA-B5+, tiveram um rendimento de -1,63% no mês, acumulando uma rentabilidade de apenas 0,49% no ano. O IMA-S, que mede a rentabilidade dos títulos públicos indexados à taxa SELIC, fechou o mês com rentabilidade de 1,11 e no ano acumula alta de 9,58%

O IBOVESPA apresentou queda de 3,36% no mês, amargando uma queda de 9,89% no ano e 16,73% nos últimos 12 meses. O dólar (pelo cambio oficial – PTAX) teve alta de 8,95% no mês, 49,57% no ano e 62,09% nos últimos 12 meses. A taxa de venda no fechamento do mês foi de 3,97%, entretanto o câmbio ultrapassou R$4,20 durante o mês de setembro.

Com a reorganização dos ministérios, e aumento da participação do PMDB no governo, espera-se que o quadro político nacional se estabilize e que o governo consiga retomar o apoio do Congresso, aprovando as tão necessárias medidas de equilíbrio das contas públicas. Os dados mais recentes apontam para continuada queda na arrecadação e dificuldade em reduzir gastos, o que coloca os investidores nervosos.

A operação “Lava-jato” sofreu com a decisão do Supremo em permitir o desmembramento dos processos em outros tribunais, deixando o Juiz Sergio Moro com menor influência no processo. A reação da população se fez notar pelas redes sociais. O ocorrido favorece os investigados e pode aumentar muito o tempo de julgamento e dificultar as investigações. As acusações contra Eduardo Cunha aumentam e parecem estar colocando o parlamentar em posição difícil.

Emprego, atividade econômica, consumo e produção industrial continuam em queda e não há nada no horizonte que indique uma reversão desse quadro. O saldo da balança comercial (exportações menos importações) ficou positivo em setembro o que, a princípio, parece bom. Entretanto, analisando os dados vemos que tanto exportações quanto importações caíram, o que demonstra o grande encolhimento da nossa economia.

A nossa inflação continua persistente, apesar do forte encolhimento do consumo, e deve continuar alta impulsionada pela desvalorização do Real e aumento no preço dos combustíveis.

As notícias vindas da Europa indicam uma inflação muito baixa e pouco crescimento. As medidas de estimulo adotadas pelo bloco não estão fazendo o efeito desejado.

A economia da China continua se desacelerando, derrubando os preços das commodities, o que é ruim para o Brasil.

Os Estados Unidos continuam dando sinais de recuperação, entretanto ela parece ser fraca. Apesar do mercado apostar que a alta de juros americana esteja próxima, achamos que ainda é cedo para tomar posições. O crescimento da economia mundial e inflação nos Estados Unidos estão pequenas, o que pode fazer com que o FED deixe a alta de juros para o próximo ano, o que sem dúvida seria muito bom para o Brasil.

Continuamos com nossa posição de privilegiar os investimentos em renda fixa de curto prazo, indexados à taxa SELIC e manutenção em carteira dos títulos indexados a inflação e dólar. O valor das ações parece baixo, entretanto o risco para entrar agora é grande. Assim nesse mês estamos recomendando nossos clientes a observar apenas. Caso o quadro político melhore uma opção é vender um pouco de dólar e comprar NTN-Bs longas (Tesouro IPCA).

Se você necessita de assessoria nos seu investimentos entre em contato conosco pelo email: lauro@lasconsultoria.com

Lauro Araújo

Lauro Araújo

Diretor da Lockton Corretora de Seguros e Consultoria, empresa americana especializada em benefícios, gestão de risco e consultoria atuarial e de investimentos. Formado em Administração de Empresas, já trabalhou em consultorias de investimentos nacionais e internacionais e em gestoras de recursos como a JP Morgan e Bradesco Templeton Asset Management.

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