Comentário de Mercado Outubro 2016

Setembro foi um mês relativamente tranquilo, apesar das eleições municipais. Entretanto, todas as nossas velhas dúvidas continuam ai.

Já estou cansado de escrever que a rentabilidade da renda fixa continua boa (o que é ótimo, quisera eu passar a vida escrevendo isso). O IMA-B5+, que mede a rentabilidade das NTN-Bs de longo prazo, subiu 1,67% no mês, acumulando no ano uma impressionante alta de 28,05%. O IMA-S, que mede a rentabilidade dos títulos públicos indexados à taxa SELIC, fechou o mês com alta de 1,08% e no ano de 10,30%. O IRFM, que meda a rentabilidade dos títulos pré-fixados teve alta no mês de 1,96% e no ano de 19,30%. O IMA-B5, que mede a rentabilidade das NTN-Bs de curto prazo, subiu no mês 1,41% acumulando no ano uma alta de 12,92%.

O IBOVESPA fechou o mês com uma modesta alta de 0,80%, acumulando um ganho de 34,64% no ano. O dólar (pelo câmbio oficial – PTAX) fechou, na venda, cotado a R$3,2462 com alta de 0,18% no mês e queda de 16,87% ano.

Nossa economia continua dando sinais de encolhimento. A produção industrial de agosto teve queda de 3,8%, maior do que a expectativa do mercado (-3,3%). Tenho a impressão que os empresários estão esperançosos, mas não o suficiente para investir e contratar.

O setor de construção civil, que tem um impacto econômico muito grande, continua sofrendo. A quantidade de imóveis devolvidos é alta e agora elas enfrentam muitas ações de (ex)clientes que desistiram da compra para reaver uma parcela maior dinheiro pago.

Ao que tudo indica crescimento mesmo, só no ano que vem.

No campo politico a novidade (já esperada) foi a grande derrota do PT nas eleições municipais. O partido não elegeu nem um prefeito nas grandes cidades brasileiras (ao menos naquelas que têm relevância econômica). O PSDB sai fortalecido, elegendo seu candidato a prefeito de São Paulo em primeiro turno.

Eu acredito que o resultado das urnas seja muito relevante. Como tenho dito incansavelmente o principal entrave ao crescimento de nossa economia é politico. O PSDB tem alardeado ser largamente a favor de mudanças profundas na gestão pública. A PEC dos gastos públicos foi aprovada no primeiro turno, ainda temos um longo caminho à frente (mais uma rodada na Câmara e depois ela vai para o Senado) mas o primeiro passo foi firme. A margem de 366 Deputados foi boa.

Observando os preços e taxas dos ativos financeiros, podemos dizer que os investidores estão apostando em mudanças reais. O mercado continua otimista.

A inflação do mês, medida pelo IPCA veio abaixo do esperado em 0,08%. Como dissemos no mês passado, a entressafra acabou e o preço dos alimentos já está caindo, dando um refresco nos próximos meses.

O governo continua registrando déficit em suas contas e isso só mudará quando o país voltar a crescer, elevando a arrecadação de impostos.

Não temos muitas novidades no mercado internacional. Baixo crescimento, taxa de juros baixas e incerteza continuam sendo os temas globais. A Inglaterra começa a sentir o peso de sua saída do bloco europeu, sua moeda, a libra esterlina, está caindo e não vemos ainda um piso. No Japão as taxas devem continuar negativas. Só os EUA estão dando sinais de fortalecimento, que deve provocar uma alta nas suas taxas de juros ainda esse ano. Ao que tudo indica os EUA subirão os juros ainda esse ano,mas lentamente.

O foco agora está nos bancos europeus enfraquecidos pela politica de juros adotada pelo bloco. Temos que considerar que nunca vivemos um período tão longo e com tantas taxas de juros muito baixas e ate mesmo negativas. Hoje o sistema bancário não está aparelhado para lidar com essa realidade. Os bancos estão enfrentando uma situação nunca vivida antes. Os problemas já aparecem. O Deutsche Bank está em apuros e acredita-se que esse é apenas o começo de um longo e doloroso processo que pode desestabilizar os mercados.

Nas últimas edições falei pouco da China, mas minha preocupação com aquele país não diminuiu. Como já disse antes o nível de endividamento das empresas e pessoas chinesas é muito grande. Há sim um risco de crédito rondando aquela economia que pode contaminar a todos. Entretanto, devido a suas características (ainda muito fechado e com forte controle governamental) essa crise pode ser contornada. Vamos torcer, mas fiquem atentos!

Seus Investimentos

De uma forma geral continuo otimista com nosso mercado. Desde meados do ano passado tenho recomendado investimento em NTN-Bs longas (Tesouro IPCA de vencimento 2040 ou mais longo). Esse investimento pagou muito bem pelo risco oferecido e acho que ainda tem espaço para mais ganhos. Mantenha seus títulos.

Outra recomendação minha foi o investimento na bolsa. Acho que ainda há espaço para mais ganhos. Segure suas posições, se você tolera algum risco.

A notícia ruim é que podemos estar chegando ao fim dessa fase de ganhos gordos com baixo risco.

Lauro Araújo

Lauro Araújo

Diretor da Lockton Corretora de Seguros e Consultoria, empresa americana especializada em benefícios, gestão de risco e consultoria atuarial e de investimentos. Formado em Administração de Empresas, já trabalhou em consultorias de investimentos nacionais e internacionais e em gestoras de recursos como a JP Morgan e Bradesco Templeton Asset Management.

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