Comentário de Mercado Outubro 2016

Outubro foi mais um bom mês para os investidores. Estou certo que no futuro sentiremos saudades desses tempos. O IMA-B5+, que mede a rentabilidade das NTN-Bs de longo prazo, ficou abaixo do CDI, o que não ocorria há muito tempo. Sua rentabilidade foi de 0,73%% no mês, acumulando no ano um impressionante ganho de 28,98%. O IMA-B total, que mede a rentabilidade média das NTN-Bs emitidas subiu no mês de outubro 0,64% e acumula alta no ano de 22,78%. O IMA-S, que mede a rentabilidade dos títulos públicos indexados à taxa SELIC, fechou o mês com alta de 1,04% e no ano de 11,45%. O IRFM, que meda a rentabilidade dos títulos pré-fixados teve alta no mês de 1,22% e no ano de 20,75%.

Impulsionado pelo quadro político interno, O IBOVESPA fechou o mês com uma forte alta de 11,23%, acumulando um impressionante ganho de 49,77% no ano. O dólar (pelo câmbio oficial – PTAX) fechou, na ponta de venda, cotado a R$3,1811 com queda de 2.01% no mês e queda de 18,53% ano.

Neste comentário iniciaremos pelo panorama internacional. Na Europa os dados indicam uma economia morna (quase fria para ser mais exato). A produção industrial do bloco no terceiro trimestre foi fraca e a inflação continua baixa. Analistas apostam que o BCE continuará com seu programa de incentivo, jogando dinheiro no mercado. No Japão tudo igual. Sem crescimento e programas de incentivo que parecem não surtir efeitos.

A China divulgou dados de crescimento acima do esperado, entretanto o mercado parece não acreditar nos números chineses. O endividamento das empresas e famílias chinesas é grande (muito grande) e qualquer problema lá pode assumir proporções catastróficas. No cenário internacional a China é, sem duvida, uma grande preocupação, ao lado das eleições americanas.

Os Estados Unidos estão dando sinais de um crescimento mais forte. A taxa de juros americana subiu e deve subir novamente esse ano. O que para nós não é bom, pois diminui o fluxo de dinheiro de fora para nossa economia.

No Brasil os indicadores continuam mostrando desaceleração. O Boletim FOCUS (média da previsão dos bancos) mostrou mais uma piora para a atividade no Brasil neste ano.

No campo politico tivemos avanços. O PSBD cresceu muito nas cidades o que dá forças aos ajustes econômicos. O partido defende fortemente o controle dos gastos públicos, até mais do que o partido do Presidente Temer, o PMDB. Entretanto os riscos políticos não são pequenos com a delação de Marcelo Odebrecht e a possível delação de Eduardo Cunha. Essas delações podem desestabilizar completamente as forcas políticas e levar o pais a um retrocesso. Fique atento.

O crescimento da nossa economia no próximo ano continua incerta. A figura ao lado mostra os componentes do nosso Produto Interno Bruto (PIB) que mede toda a riqueza que nosso país gera.

Como podemos ver ela depende de três coisas:

  • Consumo (famílias comprando bens e serviços);
  • Gastos do Governo;
  • Investimentos.

2016-11-componentes-pib

As empresas brasileiras, apesar de otimistas, como mostram os indicadores de confiança, não estão investindo, ou por falta de dinheiro (crédito) ou por falta de clientes para seus produtos.

Assim, para termos investimentos que geram crescimento dependemos do mercado internacional mandar dinheiro para nossa economia. A crescente possibilidade de Trump assumir a presidência dos EUA e implementar uma política nacionalista, pode fazer com que os investidores evitem investir em mercados de maior risco, como o nosso. Quando o investidor sente que o risco está aumentando ele tende a migrar para economias mais estáveis, mesmo que o ganho seja menor (ou zero em alguns casos). Isso significa que o dinheiro que poderia vir para nós acaba indo para países como Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos.

A dificuldade da Europa em reagir à estagnação que vive pode significar menos crescimento mundial e menos atividade para nós.

No campo do consumo não podemos esperar muito. Sem salário e sem condições de tomar dinheiro empresado as pessoas não gastam. A figura ao lado monstra a forte queda na renda e no crédito desde 2014, sem sinais de reversão. Desse mato não sai coelho.

2016-11-renda-e-credito

O último fator que pode impulsionar a economia são os gastos públicos. Em nosso país gastos do governo são quase 20% do nosso PIB. Como Brasília já gasta mais do que ganha aumentos aqui não são possíveis. Até muito pelo contrario, todo o programa de ajustes busca diminuir os gastos da união e estados.

 

Seus Investimentos

 

Termino esse comentário de forma parecida ao que fiz no mês passado. De uma maneira geral continuo otimista com nosso mercado, mesmo que um pouco menos agora. O risco continua gerando bons retornos tanto na renda fixa quanto na bolsa. Mas ele está crescendo, alimentado por fatores externos, principalmente. Fique atento e esteja preparado para colocar o lucro no bolso e ir para a segurança do CDI (Tesouro SELIC).

Lauro Araújo

Lauro Araújo

Diretor da Lockton Corretora de Seguros e Consultoria, empresa americana especializada em benefícios, gestão de risco e consultoria atuarial e de investimentos. Formado em Administração de Empresas, já trabalhou em consultorias de investimentos nacionais e internacionais e em gestoras de recursos como a JP Morgan e Bradesco Templeton Asset Management.

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