Comentario de Mercado Novembro de 2016

Comentário mercado novembro 2016

Novembro foi um mês difícil e quebrou uma longa sucessão de ótimos rendimentos para os investidores.  No cenário de renda fixa, destaca-se o corte da taxa básica de juros pelo COPOM, para 13,75%, em linha com as expectativas. Quanto aos demais indicadores de renda fixa; o IMA-B5+, que mede a rentabilidade das NTN-Bs de longo prazo, apresentou rentabilidade negativa de -2.04% no mês. Entretanto, a rentabilidade, no ano, apresenta importante ganho de 26,35%. Já o IMA-B5, que mede a rentabilidade média das NTN-Bs de curto prazo, teve rendimento positivo de 0,40% e acumula uma alta de 13,89% no ano. O IMA-S, que mede a rentabilidade dos títulos públicos indexados à taxa SELIC, fechou o mês com alta de 1,03% e de 12,60% no acumulado desse ano. O IRFM, que meda a rentabilidade dos títulos pré-fixados, teve alta no mês de 0,32% e no ano de 21,14%.

Impulsionado pelo quadro político interno e externo, o IBOVESPA fechou o mês com queda de 4,65%. O ganho no ano ainda impressiona, pois acumula uma alta de 42,81%. O dólar – de acordo com o  câmbio oficial,   PTAX –  fechou, na ponta de venda, cotado a R$3,3967, com alta de 6.18% no mês e queda de 13,01% no ano.

No cenário político internacional,  o evento mais marcante  foi a eleição de Donald Trump, pois o mercado errou feio ao atribuir baixa probabilidade para o resultado – mesmo depois de passar pelo Brexit – e os mercados reagiram sem qualquer logica.

O novo governo Trump continua a preocupar muito. Tenho lido todo tipo de comentário, mas o que me parece certo é que não há como prever como ele atuará, antes de conhecer seu gabinete.

Como temos que ter uma opinião, mesmo arriscando a cometer erros grosseiros, meu viés é de um governo expansionista nos Estados Unidos, com mais gastos em infraestrutura e menos impostos. Isso significa mais dinheiro no bolso das pessoas e empresas, que poderão comprar mais, e aumento nos gastos em infraestrutura, que, em detrimento de uma austeridade fiscal, aquece a atividade.

Esse movimento pode ser positivo para a bolsa americana e, no médio prazo, bom para o mercado brasileiro, que exporta muito para eles, principalmente alimentos e matéria prima (minério de ferro, café, suco de laranja e soja). O ponto negativo é o provável aumento na inflação e a consequente alta na taxa de juros americana.

No Brasil o mês foi muito difícil, especialmente porque os dados de emprego foram desanimadores. Tanto a taxa de emprego formal quanto a de “conta própria”, continuam caindo. A figura mostra a forte queda nos indicadores ao longo de 2016, sem sinais de reversão.

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Para piorar o humor do mercado, o PIB do terceiro trimestre encolheu 0,8% em relação ao segundo, abaixo do esperado; e mais, esse é o sétimo trimestre consecutivo de queda na produção nacional. Vivemos a mais longa recessão da nossa história recente.

Como não poderia deixar de ser, a produção industrial continua caindo e estamos praticamente no nível da crise de 2008 como mostra a figura abaixo.

2016-12-atividade-ind

Com os dados divulgados no mês de novembro, já vemos alguns economistas falando em crescimento zero – isso mesmo, zero – para o próximo ano. Eu continuo mais otimista, mas o prognóstico não é bom.

A despesa primária do governo deverá crescer 12,9% em 2016 (aumento real superior a 4%). Se forem liquidados os “restos a pagar”, ela pode chegar a mais de 16%. As contas públicas só não estão em pior situação graças a entrada de recursos da repatriação.

Complicando ainda mais nossa vida, o cenário político se deteriora com escândalos no ministério de Temer, a aprovação na Câmara das medidas que limitam a atuação da força tarefa da Lava Jato e a delação dos executivos da Odebrecht que deve trazer o nome de mais de 150 políticos.

A única noticia boa é a queda da inflação. O IPCA-15 de novembro ficou em 0,26%, o número mais baixo para o mês desde 2007. Tenho que confessar que, com uma recessão tão forte, é de se espantar que tenha alguma inflação.

Seus Investimentos

Meu otimismo ainda resiste, mas não sei até quando. Como dissemos no mês passado o risco continua gerando bons retornos. Acho que hoje o risco da renda fixa é melhor do que o das ações. Se você ainda não colocou no bolso seu lucro de 2016, a hora pode ser essa. Como acumulamos um bom rendimento em 2016, podemos manter as posições iniciais de risco do início do ano sem grandes sacrifícios.

Lauro Araújo

Lauro Araújo

Diretor da Lockton Corretora de Seguros e Consultoria, empresa americana especializada em benefícios, gestão de risco e consultoria atuarial e de investimentos. Formado em Administração de Empresas, já trabalhou em consultorias de investimentos nacionais e internacionais e em gestoras de recursos como a JP Morgan e Bradesco Templeton Asset Management.

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