Brasil: Ajuste deve continuar

O IBGE divulgou na semana passada retração de 0,6% do PIB real do segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre, abaixo da projeção do consenso dos economistas. Considerando que o próprio primeiro trimestre foi revisado de uma expansão de 0,2% para uma queda de 0,2%, podemos afirmar que o País está em recessão técnica. Os detalhes do indicador mostram que a situação é mais complexa do que uma simples ausência de crescimento no semestre passado:

1. A taxa de investimento caiu para apenas 16,9% do PIB (com nosso ajuste sazonal), o pior resultado desde início de 2007. Isso prejudica a capacidade de produção, ou seja, o PIB potencial continua deteriorando.

2. A taxa de poupança caiu para apenas 12,7% do PIB (com nosso ajuste sazonal), o menor patamar da série histórica iniciada em 2001. Isso indica baixa capacidade de alavancagem e necessidade de recomposição de poupança, o que implica em deterioração adicional da demanda doméstica nos próximos trimestres. Reiteramos que, diferente das recessões anteriores, neste momento, não temos consumo reprimido para impulsionar a atividade local.

3. A redução da lucratividade das empresas continua pesando sobre as decisões de investimento e contratação de novos trabalhadores. A necessidade de ajuste do custo unitário do trabalho deve continuar desfavorecendo o consumo das famílias no médio prazo. Além disso, a necessidade de aperto fiscal no próximo ano também prejudicará a demanda doméstica.

Considerando a queda adicional dos indicadores de confiança dos empresários e do consumidor até agosto, reiteramos nossa expectativa de nova retração do PIB real nesse trimestre. Assim, mantemos nossa projeção de PIB real nulo nesse ano e -0,5% para 2015, com risco para baixo.

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Eduardo Yuki

Eduardo Yuki

Eduardo Yuki é economista-chefe do BNP Paribas Asset Management. Graduado em Economia pela UNICAMP, possui mestrado em teoria econômica pelo Instituto de Pesquisas Econômicas da USP. Iniciou sua carreira como economista no Banco UNIBANCO, passou pelo ABN AMRO Asset Management e juntou-se ao BNP Paribas Asset Management em agosto de 2006, como economista-chefe, tornando-se responsável pela área de Economia e Estratégias Macro a partir de julho de 2013.

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